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domingo, 24 de julho de 2011

Do “quartinho” para a festa a fantasia.

    
     De volta ao quartinho imundo e confortável, sossegado, se as formigas imundas não comessem a minha sujeira, e as baratas asseadas não limpassem a minha solidão vomitada. As fantasias rolam a solta, e eu aqui juntando a sede de sair com a vontade de beber uma cerveja bem gelada. O certo é que, não tem cerveja... e aquelas fantasias estão rolando a solta, com direito a olhares sarnentos e esbarradas excitantes, e eu aqui há uma e vinte e um da madrugada, traduzindo a minha solidão em um papel que nem se quer é reciclado, em um quartinho imundo e confortável, pra que? Pra ninguém ler? Claro que não, eu nunca vou dividir as minhas fraquezas com ninguém, será? E porque eu estou escrevendo essa porcaria inssossa? No fundo no fundo, eu queria que alguém lesse, não para enfiar a lanterna no meu fracasso e dizer, olha só aqui está ele! Mas para me salvar (socorrer) dessa madrugada em um quartinho imundo e confortável, e de pensamentos que me fazem lembrar que nesse exato momento, uma e meia da madrugada, está acontecendo uma festinha triste à fantasia de olhares sarnentos e esbarradas excitantes da qual eu não faço parte.
    Não consigo entrosar o meu ego com os dos outros, mas o que eu quero agora é uma companhia  pra jogar conversa fora, beber, sair. Eu estou em Porto Alegre a mais de um mês e não moro aqui ainda! Sou um egoísta mesmo, nem trabalho eu consigo arranjar pra sustentar a minha vida bestial e poder me orgulhar de toda essa indecência.  eu sou um sangue e suga ordinário de conforto, sou um agiota mesmo, eu não tenho nada, nada mesmo, nunca tive nada, nem uma cerveja gelada.
     A única coisa que eu tenho não me pertence, é a música. A música é nossa e isso me deixa bastante inseguro, sei que eu posso ir além e por isso as vezes não faço nada. Sou muito rude (exigente) comigo mesmo, tanto que não consigo me mover, não admito erros. As vezes eu não queria ser mais tão eu. O calor aqui está insuportável e a geladeira daqui tem cheiro de fome. Eles comem com cuidado com a certeza de que não vão morrer, - “já estão mortos e não sabem!” Mas isso não importa, o que me traz a conversar comigo mesmo é a solidão, aquela em um quartinho imundo e confortável, vez em quando eu me pergunto, será que vai valer a pena longe do meu canto quieto? da família? opa! Espera ai, será que eu não estou morto vivendo com cuidado e não sei? Ta só falta agora eu escrever um livro, logo eu que nunca li um, acho que nunca escreverei só pelo fato de saber que nunca serei um Rimbaud, mas que droga, por quê eu sou assim? Se eu começo, vou até o fim, se é pra amar, tem que ser amor platônico, se for pra escrever tem que ser como Rimbaud, se for pra beber, até cair, se for pra fumar, até gerar um pnêuma tórax, se for pra magoar, piso até sangrar, se for pra pedir desculpas, escrevo até uma música, se for pra matar, mato a mim mesmo, pra que? Porque eu sou assim tão difícil comigo? Se for pra enciumar escrevo um carta que provavelmente o destinatário será a gaveta ao lado, pensando naquela festa a fantasia triste de olhares sarnentos e esbarradas excitantes da qual eu não faço parte.  

Wagner Sanchi

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